Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa


Sistema Prisional - Presos trabalham em parques da Capital
Vinte e sete apenados varrem e capinam a Redenção e o cemitério São João

Matéria e Fotos publicadas na Zero Hora de 09 de agosto de 2003, Pag. 35 e Contracapa.

Trabalho de presidiários-1

Quando começa a chover, Adão Odir da Silveira fica em alerta. Sabe que depois das chuvaradas o trabalho de colocar areia em centenas de vasos de flores que enfeitam túmulos vai aumentar. Mas é com orgulho e dedicação que ele cumpre a missão de prevenção à dengue no cemitério municipal São João, em Porto Alegre.
Aos 44 anos, casado e pai de três filhos, Silveira comemora: ele é um dos apenados beneficiados com trabalho externo por meio de convênios.
Atualmente, 27 detentos dos regimes aberto e semi-aberto trabalham no cemitério São João e no Parque Farroupilha (Redenção), graças a um protocolo de ação conjunta (PAC) firmado entre a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam).
Criado em 2000, o convênio foi renovado esta semana e prevê 35 vagas para detentos. Eles fazem serviços de manutenção e conservação geral. Trabalham de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e recebem um salário mínimo pago pela prefeitura. Além do dinheiro, há a possibilidade de remição: para cada três dias trabalhados, é descontado um dia de pena. A Susepe tem hoje 123 PACs em andamento, o que significa chances de trabalho para 1.227 apenados no Estado.
- Estou preso há três anos e cinco meses e essa é a primeira oportunidade que tenho de trabalhar. Isso é bom para a vida da gente - comenta João Antonio Rodrigues Gomes, 38 anos.
Trabalho de presidiários-1 O fato de serem tratados de "igual para igual" é o que os presos mais citam como positivo na experiência.
- Para nós, eles não são presos, são funcionários como os outros. O crime que cometeram é passado, aqui só importa que amanhã eles poderão estar de volta às ruas integrados com a sociedade - diz o engenheiro agrônomo Clovis Breda, 38 anos, administrador da Redenção.
Os resultados da experiência têm sido tão bons que Breda está estudando uma forma de ampliar o serviço para os apenados que ganham liberdade. Um dos requisitos para trabalhar por meio de convênio é estar ligado a uma casa prisional. Hoje, no momento que ganha liberdade, o apenado perde o trabalho. Conforme Breda, a idéia é garantir serviço por mais um ano para quem estiver livre.
- Se você quer seguir a vida em linha reta (honestamente), o jeito é caprichar no trabalho. A gente ganha pouco, mas aprende a distribuir bem essa renda. É importante ter boas referências depois, ou até continuar aqui - afirma o detento Sadi Ramos Dionízio, 38 anos, que cozinha para os 13 apenados e outros funcionários municipais que atuam no Farroupilha.
Com a mão-de-obra prisional empregada no parque, a prefeitura economiza R$ 100 mil a cada ano.
- Isso é muito bom. É um meio de a pessoa se reabilitar, entrar na sociedade e ser tratado com respeito - destaca o apenado Vanderlei Silva da Silva, 34 anos.
( adriana.irion@zerohora.com.br )



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