Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa


Redenção vira "piscinão" da Capital   

Lagos localizados no Parque Farroupilha se tornaram refúgio de famílias da periferia em dias de calor

Notícia e foto publicadas na Zero Hora, dia 16 de novembro, página 33.

Piscinão

Famílias transformaram o Parque Farroupilha num cenário capaz de causar inveja ao Piscinão de Ramos, conjunto popular de piscinas celebrizado no Rio.
Termômetros em 31ºC e o passe livre nos ônibus levaram ontem centenas de pessoas a invadir águas sujas e inseguras, promovendo mergulho e acrobacias num dos pontos turísticos preferidos pelos porto-alegrenses.
A falta de fiscalização - ontem eram apenas três guardas - criou um hábito inédito, o deslocamento de famílias inteiras de bairros longínquos como Sarandi e Bom Jesus para se banhar na Redenção. Embora crianças de rua esbaldando-se em fontes não sejam novidade, cenas como a protagonizada por Rosemeri França Vieira, 39 anos, têm surpreendido os freqüentadores do local.
Á beira do espelho d'água - local que em clubes tradicionais seria a "piscina dos pequenos", - Rosemeri reparava os dois filhos submergindo de cuecas na água esverdeada. Risonha, a dupla Bernardo e Leonardo convidava cada um que passasse a experimentar a água.
- Venho com freqüência. Eles (as crianças) me convencem dizendo que é de graça e só gastamos uma passagem de ônibus - conta a moradora do Passo Dorneles, zona norte da Capital.
Auxiliar de serviços gerais, Rosemeri incentiva a diversão dos filhos e reivindica um melhor tratamento da água pela prefeitura.
Piscinão - Não tenho medo de doenças. Acho que se tem que pegar, pegam de qualquer jeito - diz.

Adolescentes tentam virar pedalinhos, jogando água
Ao lado do espelho d'água - ocupado por 48 banhistas às 15h30min de ontem -, mais de cem crianças e jovens protagonizavam saltos mortais e corridas nas águas da fonte luminosa. Secando-se ao sol enquanto degustava um picolé, Heraldo Eifler, 28 anos, explicava os atrativos do local.
- Há riscos, mas muita gente não tem dinheiro para ir a um clube ou à praia - justificou o segurança.
Observando o movimento, a secretária Alice De Marco não contém o riso irônico ao ser peguntada sobre os piscinões no parque. Criada no bairro Bom Fim, ela não lembra quando começou a freqüentar o parque, mas mostra desconforto e preocupação em relação aos banhistas.
Guarda-parques há 15 anos, Jorge Carvalho atesta que o movimento vem aumentando bastante e nem sempre os banhistas se contentam em se divertir. No Lago dos Pedalinhos, são comuns adolescentes tentando virar os veículos, jogando água sobre os turistas.
- Quando tentamos retirá-los, somos xingados e ameaçados. Precisamos cuidar de outras partes do parque e quando voltamos eles estão lá novamente - conta o desanimado Carvalho.

SAIBA MAIS
A LEI

* O banho em fonte e lagos públicos é proibido pelo Regulamento dos Parques e pelo Código de Posturas de Porto Alegre. Os agentes fiscais da prefeitura estão habilitados a distribuir multas em torno de R$ 65. Conforme a administração do parque, os banhistas podem ser detidos por desacato à autoridade policial, nas não por se refrescar.
Piscinão

RISCO

A profundidade média dos piscinões da Redenção:
* Espelho d'água
- 45cm (água trocada em intervalos de três meses)
* Fonte luminosa - 70cm (água trocada em intervalos de três meses)
* Lago dos Pedalinhos - 1m20cm (sem controle)

Os banhos podem causar
* Gastroenterite: diarréia e vômitos, podendo levar à desidratação
* Doenças de pele: coceiras, causadas por ambientes úmidos infectados
* Hepatite A: dores no corpo, náusea e desânimo, causada pela ingestão de água com o vírus da doença
* Leptospirose: obstrução nasal, dores de cabeça, dores no corpo e febre, olhos e pele amarelados, hoemorragias na pele e mucosas, insuficiência renal e hepática, dificuldade para respirar, rigidez na nuca, náusea e vômito.

fonte: Teodoro Armando Süffert, médico infectologista

CONTRAPONTO

O que diz Clovis Breda, administrador do Parque Farroupilha: "É um problema sério, decorrente da falta de espaços adequados de lazer para a população pobre. Procuramos conversar e conscientizar de que há risco, mas não há efetivo para reprimir os banhos. Para isso, seriam necessários cinco guardas-parque cuidando apenas dos pontos de banho. Como sabemos que há banhos, trocamos a água da fonte e do espelho d'água, embora sem garantir a balneabilidade. Fiscalizamos mais o Lago dos Pedalinhos porque ali não há controle da água e ou do terreno submerso. Além disso, os banhistas balançam os pedalinhos e molham quem está dentro, gerando conflitos. Notamos que regiões sem piscinas comunitárias, como a Vila Bom Jesus, são responsáveis pelo maior número de pessoas, mas famílias trazendo filhos são uma novidade. A eletricidade na fonte luminosa representa um risco, mesmo que remoto. Já pensamos em esvaziar estes locais no verão, mas isso racharia o concreto. Estudamos alternativas, mas não há solução em vista".

rodrigo.cavalheiro@zerohora.com.br


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