Araújo Vianna deve ter cobertura substituída
Seis anos depois de instalada, a polêmica cobertura do Auditório Araújo Vianna, na Capital, deverá ser substituída.
Segundo a prefeitura, a lona tensionada - sustentada por cabos -, inaugurada em setembro de 1996, está com sua vida útil esgotada. O material já havia sido danificado pela chuva apenas dois meses depois de colocado no auditório.
A perspectiva de vida útil da cobertura, na época da inauguração anunciada em nove anos, não deve ser cumprida. Se for substituída no final de 2003, como prevê a prefeitura, sua utilização ficará em sete anos. A cobertura apresenta remendos e problemas com acúmulo de fungos, o que, segundo o secretário substituto da Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov), Celso Knijnik, era esperado:
- A vida útil ficará um pouco abaixo do esperado, mas sabíamos que ela teria de ser substituída.
Anunciada como a maior estrutura de lona tensionada da América Latina, a cobertura, que custou R$ 250 mil, não resistiu ao primeiro temporal. Durante show de João Gilberto, em 1996, os produtores cortaram o material à faca para evitar que a água acumulada sobre a estrutura causasse incidentes.
De acordo com Knijnik, a Smov estuda materiais com manutenção mais barata do que os R$ 6,9 mil gastos mensalmente com a lona e que tenham maior durabilidade. Em 60 dias, uma empresa de engenharia indicará o tipo de cobertura mais adequado. A lona poderá ser substituída por uma estrutura rígida, de fibra de vidro ou alumínio. A escolha dependerá do custo da cobertura escolhida. Segundo a Smov, uma nova lona custaria entre R$ 400 mil e R$ 700 mil.
- Uma cobertura rígida custaria cerca de R$ 1 milhão. Se a solução indicada for mais cara do que isto, poderemos optar por uma nova lona - diz Knijnik.
A acústica do auditório e o som que atormenta os moradores da região também devem ser levados em consideração. Uma nova lona exigiria investimentos em tratamento acústico, como reivindicam os produtores de eventos. Segundo Knijnik, uma cobertura rígida resolveria esse problema. Já o incômodo aos moradores exigiria outra solução.
- Não há uma cobertura que resolva esse problema. Teríamos de mudar a função do auditório - explica Knijnik.
Conforme o vice-presidente da Associação dos Amigos do Bairro Bom Fim, Milton Gérson, nos últimos dois anos o barulho diminuiu, mas ainda há reclamações.
- Estamos mapeando moradores afetados para discutir com a prefeitura uma solução - diz Gérson.
SAIBA MAIS
Alexandre Lopes - Opinião Produtora
Hoje há solução acústica para o Araújo Vianna mesmo com a lona. Há outros problemas, como a falta de estrutura nos banheiros, a impossibilidade de remover cadeiras e a concha acústica, que prejudica o palco. O problema com a cobertura pode ser resolvido.
Carlos Branco - Branco Produções
A cobertura viabiliza eventos que não ocorreriam a céu aberto. Mas é possível melhorar sua acústica. O ideal é que isto já esteja no projeto. Questões como o material das cadeiras, que prejudicam o som, podem ser revistas. É possível realizar bons espetáculos com a lona.
Ernesto Fagundes, cantor tradicionalista
Não toquei no Araújo Vianna sem cobertura, mas sempre que me apresento lá, a qualidade do som é boa. O lugar é muito bonito e, com uma boa equipe técnica e equipamentos, é possível superar os problemas de acústica no local.
ENTENDA O CASO
O Auditório Araújo Vianna foi inaugurado em 12 de março de 1964, mas somente em 1978 a proposta de sua cobertura entrou em cena.
O então prefeito Guilherme Socia Villela encomendou um projeto arquitetônico, mas o engavetou, alegando prioridade para outras casas de espetáculo.
O assunto é retomado anos depois:
* 10 de maio de 1995 - A Comtesa Engenharia é a vencedora da licitação para a reforma do auditório.
* 18 de janeiro de 1996 - Começa a reforma do Araújo Vianna. As obras são orçadas em R$ 1,5 milhão (R$ 250 mil somente para a cobertura). O projeto prevê um teto de lona sintética capaz de resistir a fortes ventos, com uma cúpula de acrílico no centro.
A lona teria vida útil de nove anos.
* 4 de setembro de 1996 - O auditório é reaberto oficialmente, com shows da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro com Geraldo Flach Quarteto e Vitor Ramil no show Tango.
* 22 de outubro de 1996 - Anunciada como a maior cobertura de lona esticada da América Latina, o equipamento apresenta problemas.
Durante show de João Gilberto, as chuvas causam o aparecimento de furos nos 4 mil metros quadrados de material sintético.
Os produtores do evento cortam à faca parte da lona para evitar que a água empoçada deformasse o material.
* 16 de dezembro de 1996 - Uma hora de temporal rasga ao meio em dois sentidos a lona do auditório.
Segundo Luiz Gomes, diretor de obras prediais da Smov, o dano foi provocado pelo rompimento de dois cabos de aço que dão sustentação à lona.
A cobertura foi recuperada, mas os produtores se afastaram devido à acústica ruim.
Os grandes eventos só retornaram ao Araújo Vianna este ano, com shows de Djavan e Gilberto Gil.
marcelo.barbosa@zerohora.com.br