Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa

Monumentos à mercê dos vândalos
Coordenadora da prefeitura propõe campanha de conscientização, mas diz que problema é mundial

Matéria e foto publicadas no Correio do Povo de 29 de Agosto de 2004, Página 8.

Luciamem Winck
Monumentos estão sendo roubados, desfigurados pela tinta ou depredados em Porto Alegre. A estimativa é que os danos atinjam 80% das 400 estátuas, bustos e obras de arte da Capital. Dos 38 monumentos do Parque Farroupilha, sete desapareceram. Não há mais vestígios das obras que homenageavam a Batalha dos Guararapes, Jayme da Costa Pereira, o fundador do Metodismo, João Wesley, professor Luiz Englert, padre Joaquim Cacique de Barros, Assis Brasil e ministro Francisco Brochado da Rocha.
vândalos O monumento destinado a distinguir os feitos de Brochado da Rocha foi destruído pela primeira vez em 1985, sendo reconstruído em 2001. 'Na madrugada de 4 de julho, foi colocado abaixo novamente', lamenta o administrador do parque, Clóvis Breda. Outra obra que vem sendo alvo dos vândalos e ladrões é a que homenageia Alberto Bins, ex-prefeito da Capital. 'A placa indicativa, em bronze, foi furtada na madrugada de 22 de julho, mas a Brigada Militar agiu rápido e conseguiu prender os dois ladrões', lembra. Conforme Breda, em 12 meses, PMs conseguiram evitar dois furtos no interior do parque. 'O ideal seria que as pessoas denunciassem a prática ao 190 para facilitar a ação dos policiais militares', diz.
Segundo a coordenadora da Memória Cultural da Secretaria Municipal da Cultura, Gisele Damiani, as depredações motivam o esquecimento, pois o vandalismo provoca a perda de identidade de alguns recantos. 'Esse é um problema comum em vários países, inclusive nos mais desenvolvidos', exemplifica. Para ela, a destruição de monumentos está atrelada à rebeldia. 'É difícil combater danos e furtos, já que essas obras de arte ficam localizadas em lugares públicos e de fácil acesso', assinala. Gisele argumenta que o ideal seria manter vigilância contínua, o que é inviável em função dos custos. 'A alternativa é a promoção de campanhas de conscientização, o que não representa uma garantia do fim das ações dos vândalos e ladrões', comenta.

Pichação está cada vez mais onerosa

O vandalismo está modificando as imagens dos cartões-postais da Capital. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam) não consegue recuperar os monumentos que são pichados, danificados e furtados. 'Precisaríamos de R$ 1 milhão por ano para recuperar e recolocar as placas roubadas', informa o titular da Smam, Dieter Wartchow, lembrando que monumentos como os de Bento Gonçalves, de Anita e Giuseppe Garibaldi, dos Açorianos e do Expedicionário constantemente são pichados com tinta spray. Conforme Wartchow, a manutenção é dispendiosa, em razão da necessidade de produtos específicos para cada material e, por vezes, de especialistas para a execução dos reparos.
Para valorizar a memória e a cultura da cidade, a equipe técnica da Smam está elaborando o programa 'Adote um monumento'. 'Pretendemos encontrar parcerias na iniciativa privada, para colaborar na manutenção e conservação dos monumentos e obras de arte', revela. O projeto seguirá os mesmos moldes do programa 'Adote uma praça', que permite às pessoas jurídicas assumirem a responsabilidade de urbanizar e manter áreas verdes públicas. 'Considerando o abandono dos monumentos pelos seus proponentes e os elevados custos de manutenção, estamos estudando a possibilidade de, para os monumentos que vierem a ser edificados, instituir a cobrança de uma taxa anual para a sua conservação', explica o secretário.
Atualmente, tramitam na Câmara de Vereadores 20 propostas para a edificação de estátuas e memoriais. Outros oito projetos de lei dispõem sobre a recuperação de obras danificadas. Ainda há dez proposições exigindo melhorias nas vias de acesso aos monumentos. Outras duas, de autoria de um mesmo vereador, propõem o cercamento de monumentos públicos. Quem flagrar atos de vandalismo e depredação do patrimônio público deve acionar a Brigada Militar pelo telefone 190 ou a prefeitura pelo 156. A pichação é crime contra a propriedade particular e os autores, se presos, podem ser condenados a penas que variam de um a seis meses e ao pagamento de multas.



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