Parques lutam contra a falta de recursos
Redução de servidores em dez anos afetou manutenção e conservação de espaços de lazer e esporte

Matéria e fotos publicadas no Fala Bom Fim Número 48, de Julho de 2005, página central.

fbf-03 A falta de recursos para a manutenção e conservação dos Parques Farroupilha e Ramiro Souto vem preocupando a comunidade porto-alegrense já urn bom tempo. Nos últimos dez anos, ficou comprovado o decréscimo do número de funcionários e a pouca verba para manter uma mínima infra-estrutura dos tradicionais e quase seculares parques do Bom Fim.
Para o coordenador do Parque Farroupilha, Clovis Breda, o local sofre as conseqüências da situação financeira da prefeitura municipal, agravadas pelo corte de gastos formulados recentemente para conter o déficit. "Essa situação não se criou a partir do atual governo. É sem dúvida um problema antigo que se agravou nos últimos meses. foi o contexto e não o governo que geraram esses cortes", disse Breda.
Para o Parque Farroupilha, houve um corte 50% nos investimentos, 40% horas em extras e 30% no custeio. Isso contribuiu para a perda de capacidade de manutenção do parque. De Janeiro para cá a situação teria piorado, com a redução da qualidade de apresentação do parque, como limpeza, vigilância, jardinagem e pinturas. Somente os animais do zôo foram preservados.
Um gráfico apresentado pela coordenação do parque mostrou que existe um decréscimo constante no número de funcionarios. Se em Janeiro de 1994 o parque possuía 62 funcionários, nesse ano conta apenas com 26. "Se continuarmos nesse patamar, chegaremos ao ponto de não podermos contar com nenhum funcionário", alertou Breda.
fbf-04 As 15 horas de trabalho no parque se reduziram para oito. O coordenador explicou que não se pode criar turnos e horários diferenciados. "Só o prefeito pode determinar o horário dos funcionários municipais. Daí a dificuldade de proteger mais o parque", disse. A questão dos guarda parques também se resume no seu número reduzido e nas suas atribuições. Atualmente é um guarda para o sábado e dois no domingo. É pouco para uma área de 40 hectares.
De acordo com Breda, muitos são os problemas enfrentados no dia-a-dia do parque e que vão da pouca eficiência das notificações para autuar o comércio irregular e os donos de cães ferozes ao alto custo na conservação e manutenção das lixeiras. Outro fator de preocupação no Parque Farroupilha é o roubo e a depredação de monumentos e brinquedos.
Uma questão que preocupa Breda é a falta de uma definição para o Fundo de Defesa do Meio Ambiente. Em outras oportunidades, a coordenação do parque sugeriu que o dinheiro arrecadado com os permissionários, assim como nos eventos promovidos no parque, fosse canalizado unicamente para esse fundo. Entretanto, segundo o administrador do Parque, esse fundo não recebe nada desde a metade do ano passado. "Elaboramos uma proposta, que passou pelo conselho dos usuários do parque, e que foi encaminhada para a secretaria da Fazenda. Ao invés de passar na Fazenda e deixar uma taxa, o permissionário poderia comprar e doar material para o parque, com a cópia da nota que comprovaria a doação. É um jeito criativo de superar a burocracia", afirmou Breda.
fbf-05 A relação do parque Farroupilha com os demais ocupantes da área tem sido satisfatórias, conforme Breda. Em relação ao Ramiro Souto existe muito espírito de colaboração, "mesmo que as vezes não se consiga atender as demandas que nos apresentam, como corte de grama e pequenos reparos de jardinagem", afirma.
Conforme Breda, o parque também está ciente dos problemas relacionados aos barulhos vindos dos bares do Mercado do Bom Firn e da falta de segurança da área. Breda informa que esses casos devem ser resolvidos pela Smic e Brigada Militar. A explicação se justifica na responsabilidade de quem deve fiscalizar e autuar as transgressões da lei. "Como se trata de poluição sonora eventual, fica complicado realizar uma ação em função de níveis de ruído. Para que isso ocorra, é preciso ter um ponto referencial de medição na casa do reclamante, no horário exato do evento", e nem dificilmente se consegue casar a visita da equipe com a realização do evento", explica Breda.
A orientação do administrador do Parque é que sejam encaminhadas as reclamações para a Brigada Militar. "A partir de uma denúncia e do boletim de ocorrência da mesma, podemos transformar isso num ato de infração por perturbação do sossego publico", sugere Breda.



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