Entrada só pela frente
Entre os locatários do Mercado do Bom Fim, é consenso que a ação da Brigada Militar atenuou o uso e a venda de drogas na parte de trás do local, mas o estigma criado ao longo de anos parece estar mais forte do que nunca.
A maior prova disso é a queda brusca do movimento nas lojas, que levou duas delas a fecharem suas portas no último ano. Para a prefeitura, agora é tarde para tentar salvar a imagem do fundão do Mercado. O projeto de revitalização planejado pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic) tem um objetivo claro: acabar com o acesso às lojas da parte de trás pelas laterais.
Para tanto, os arquitetos da Smic estudam a criação de entradas pela frente do Mercado, dando fim ao caminho que passa ao lado do Parquinho e que durante anos ficou conhecido como ponto de encontro da contracultura da cidade. Se parasse por aí, o projeto não traria maiores preocupações para os comerciantes.
O problema é que a revitalização também prevê uma revisão geral dos contratos dos locatários, que vencem neste ano - cinco após a última reforma do local. O secretário Idenir Cecchim diz já ter planos para o novo espaço:
- Determinei que não haja renovação dos permissionários. Queremos implantar um ou dois grandes restaurantes na parte de trás, com acesso pela frente.
Segundo Cecchim, o formato dos atuais restaurantes é inapropriado. Já existem pelo menos três grandes empresas interessadas em construir restaurantes temáticos no local. Dessa forma, a revitalização do Mercado do Bom Fim pode significar o fim de alguns dos mais tradicionais estabelecimentos comerciais do bairro.
Para Antenor Guerra, locatário da loja 6 há 20 anos, o problema não é a qualidade do restaurante, e sim a falta de investimento da prefeitura na divulgação do local:
- Estamos isolados e escondidos aqui atrás. Falta um apoio de marketing, através dos órgãos de turismo da cidade.
Paulo César Santos, gerente do restaurante da loja 5, diz que investiu em uma cozinha industrial moderna e trouxe um chef internacional para seu restaurante. Mas problemas como a iluminação precária à noite afastam clientes:
- Todo mundo sabe onde fica o Café do Lago, por exemplo, pois há uma divulgação por parte da prefeitura. Mas ninguém sabe do Mercado do Bom Fim, e isso aqui é um ponto turístico.
O processo de revitalização ainda será discutido com a comunidade e só deve tomar forma definitiva no mês de outubro. Segundo o secretário, nada impede que os atuais locatários participem do novo processo de licitação, se tiverem capacidade de investimento. Antenor Guerra duvida que tenha condições de concorrer e protesta:
- Eles não podem simplesmente nos jogar na rua.
O que quer o secretário
- Reavaliar todos os atuais contratos dos locatários
- Acabar com as entradas pelos fundos do mercado
- Instalar dois ou três restaurantes temáticos na parte de trás
- Reservar as lojas da frente para antiquários e comércio que tenha perfil semelhante ao do Brique