Parque Farroupilha (Redenção)

O parque na Imprensa


Esculturas vão brotar da água na Redenção   

Matéria publicada na Zero Hora, de 30 de abril de 2003, Página 7, do Segundo Caderno.

A Passagem

No início da tarde de ontem, o artista plástico Rogério Pessôa, 34 anos, cruzou os braços em razão da chuva.
Depende de bom tempo a instalação da obra A Passagem no espelho d'água do Parque Farroupilha, em Porto Alegre. A inauguração, prevista para hoje, poderá ser adiada.
Pessôa trabalhava ontem pela manhã no local com a ajuda de uma dezena de engenheiros e operários. Os números envolvidos na montagem impressionam: 400 lajes de pedra grês, 200 varinhas de ferro com três metros de altura cada, cerca de 40 mil peças de cerâmica. No total, mais de seis toneladas de material.
As lajes servem de base para as varinhas, que, por sua vez, trespassam estrelas de barro queimado. A imagem que se produzirá deve remeter a uma espécie de vegetação aquática, com formas escultóricas brotando da água.
Gaúcho de Rio Grande radicado em Porto Alegre, professor de escultura no Instituto de Artes A Passagemda Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Pessôa já montou conjuntos semelhantes na beira do mar, nas praias de Cassino e Torres, em 2001, e dentro do Guaíba, durante a 2ª Bienal do Mercosul, ao lado da chamada Cidade dos Contêineres, em Porto Alegre.
Em todos esses trabalhos, com peças que emergem verticalmente da superfície da água, despontam elementos caros à arte contemporânea: a reinvenção da paisagem, a citação ao orgânico, a repetição a partir do uso de módulos. Com patrocínio do Fumproarte, Pêssoa vai manter o trabalho na Redenção por dois meses. Fará um requerimento formal para que a Brigada Militar intensifique a vigilância no local, mas se diz pouco interessado na preservação.
- Na Bienal, chegaram a levar peças inteiras - lembra. - São riscos que se corre.



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