Parque Farroupilha (Redenção)

Pista da Redenção forma atletas do Bom Fim para o mundo
Conheça a trajetória de três corredores vizinhos que iniciaram no parque Ramiro Souto.

Matéria e fotos publicados no site do Jornal Já www.jornalja.com.br em 25 de agosto de 2006.

ja-060825-1.jpg ja-060825-2.jpg O bairro Bom Fim, conhecido pela sua diversidade político-cultural, também é lugar para os esportistas. Moradores do mesmo prédio da rua Ramiro Barcelos, Diego Rivelino Garcia de Andrade e Renato Santos da Silveira seguem carreiras como profissionais da corrida.
O local de treinos também foi palco das primeiros arrancadas do irmão de Diego, André Luiz, que foi medalhista de ouro na Paraolimpiada de Atenas em 2004 e hoje vive em São Paulo. São alguns exemplos de atletas formados na pista do parque Ramiro Souto, na Redenção.

O garoto
O jovem Diego Rivelino Garcia de Andrade, de 21 anos, começou a treinar há oito anos, quando observava o irmão mais velho treinar na pista do Ramiro Souto. Hoje ele é atleta da Unisc (Universidade de Santa Cruz do Sul) e participa de competições estaduais e brasileiras nas distâncias de 200m e 400 m. Mas quando está em Porto Alegre, mata as saudades de seu berço no atletismo e treina na Redenção.
ja-060825-3.jpg Aos 12 anos, ele foi descoberto por um técnico de atletismo do Internacional enquanto jogava futebol. “Ele achou que eu era bem mais rápido que os outros guris”, lembra. Logo depois, recebeu apoio fundamental para continuar no esporte. Durante um campeonato estudantil de corrida na Redenção, ganhou uma bolsa integral para estudar no colégio IPA, onde estudou e treinou até 2005, quando completou o segundo grau.
Daí foi para a Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), que oferece curso de graduação como incentivo para quem integra suas equipes esportivas. Hoje, Diego está no terceiro semestre de Educação Física. Trancou a matrícula, já que está competindo pela Unisc, mas pretende retomar os estudos. Seu sonho é continuar a trabalhar em algo relacionado à corrida, mas ele sabe que será um desafio. “Atletismo é difícil, não dá para desistir nunca”, desabafa.

Paraolímpico de ouro
Os dois irmãos, Diego e André, chamavam a atenção no Bom Fim, onde se criaram, pela aparência física semelhante e pela paixão em comum pelas pistas. Quatro anos mais velho, André Luiz estudou em colégios do bairro e por isso tinha aulas de educação física na Redenção.
Nos jogos de futebol, o técnico percebeu seu fôlego descomuntal. Foi um pulo até ser chamado para integrar a equipe de atletismo do Internacional e também estudou o segundo grau no IPA. Na ULBRA, cursou biologia.
Seu maior triunfo foi conquistar duas medalhas na paraolimpíada de Atenas, em 2004: ouro (100 m) e prata (200m). O velocista corre na categoria T-13, entre os que enxergam cerca de 30% do que vê uma pessoa com uma visão perfeita. André nasceu com alto grau de miopia, mas seu nível de deficiência não é máximo.
Apesar da adversidade, ele não treina apenas entre paraolímpicos. Hoje, treina em Presidente Prudente, em São Paulo, ao lado dos melhores atletas da equipe olímpica de revezamento 4x100m do Brasil. Em 2000, quando ainda morava em Porto Alegre, foi o segundo homem mais rápido do Estado. Hoje, quando visita Porto Alegre, André vai à pista do Ramiro Souto reencontrar amigos. Com seu currículo, nestas oportunidades ele vira a atração do local.

Garçom e atleta
ja-060825-4.jpg Renato Santos da Silveira, 36 anos, trabalha há 18 anos como garçom. Foi a forma como encontrou para sobreviver e continuar praticando a corrida, sua atividade principal. Há três meses trabalha no bar Dhomba, na Lima e Silva, e conseguiu um patrocínio com o dono, o que também ajuda nas finanças.
Entre os títulos conquistados nos doze 12 de carreira estão o bicampeonato do Mercosul (2004/2005), tetracampeonato estadual (2002, 2003, 2004 e 2005), e medalha de ouro nos 400 metros do XIII Campeonato Brasileiro de Atletismo Master (2006).
Renato também começou na pista Ramiro Souto, na Redenção, onde praticava 30 minutos por dia. Ao passar por diversos esportes, ele se identificou com a corrida. “É um esporte barato, que precisa só de tênis e calção”, diz.
Silveira começou como fundista – corria provas de longa distância, de até 21 Km (meia-maratona). Agora, prefere as distâncias de 400, 800 e 1.500 metros. Passou pela Sogipa e Ulbra, entre outros. Mas no momento está “felizmente” sem clube. “São muitas exigências e o atleta tem pouco retorno”, explica.
Hoje treina com o apoio da equipe Paulo Alvarez, de professores de Educação Física. A rotina diária inclui 3 horas de musculação e corridas na pista. O trabalho deve ser intensificado até o inicio de novembro, quando participa da competição sul-americana no Rio de Janeiro.
O grande objetivo é ficar em forma para o Mundial que ocorre em julho de 2007 na Itália. Apesar de competir contra 9 mil atletas, ele acredita que tem chances de ficar entre os primeiros lugares. “Meu tempo está ótimo, mas vou melhorar ainda mais até a competição”.


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