Contagem regressiva para receber a cerca
Governo do Estado assinou autorização de início da obra de cercamento do Instituto de Educação, que deve começar em cinco dias, após quase 10 anos de insistência da comunidade escolarApós quase 10 anos de espera, o Instituto de Educação General Flores da Cunha, em Porto Alegre, deve começar a ter seu prédio protegido em cinco dias.
Em uma cerimônia festiva realizada ontem, foi autorizada a construção de uma cerca com luminárias em torno do tradicional colégio do bairro Farroupilha. A expectativa é de que, em 90 dias, a obra esteja concluída, aumentando a sensação de segurança para a comunidade escolar.
A direção do instituto fez questão de dar solenidade ao ato, reunindo no saguão da escola professores, estudantes, ex-alunos, representantes do Conselho Escolar e do Círculo de Pais e Mestres. Antes da assinatura da ordem de serviço pelo secretário estadual das Obras Públicas, Coffy Rodrigues, o aluno Vitor Mateus Teixeira Neto, 17 anos, interpretou músicas de Teixeirinha, seu avô.
– Esse é um momento histórico, como tudo é histórico nesta escola. O cercamento é uma conquista que vai garantir que o Instituto de Educação continue existindo por muito anos – afirmou o diretor-geral, Paulo Sartori.
Instalado há 139 anos em um hectare na área do Parque da Redenção, o Instituto de Educação atravessou duas viradas de séculos, mantendo a arquitetura original, sem cercas, muros ou grades. Com o avanço da violência, vândalos e bandidos passaram a invadir a escola freqüentemente, tornando rotina depredações, pichações e furtos e roubos contra alunos e professores.
Há dois anos, quando contabilizou 10 invasões por ladrões em um trimestre, a comunidade escolar criou a campanha Eu Abraço o Instituto de Educação. A idéia era vender camisetas com o slogan da instituição e cercar o prédio com o dinheiro.
Com abraço simbólico, escola pressionou por obra
Em paralelo, parte dos 2,3 mil alunos e dos professores promoveu abraços simbólicos ao colégio e enviaram mensagens, pedindo o cercamento como presente de aniversário para a escola. Os recursos arrecadados foram ínfimos, mas despertaram a atenção para o problema.
– Foi graças a esse movimento que conseguimos diálogo mais fácil com as autoridades – lembrou Sartori.
Além de dinheiro, o cercamento dependia de acordo entre prefeitura e governo estadual, pois o terreno é do município, e o prédio, do Estado. Outro complicador foram as exigências legais impostas pelo fato de o complexo ser tombado como patrimônio histórico da Capital e do Estado. Colocar pilares, por exemplo, poderia causar danos ao calçamento em frente ao prédio, de pedras portuguesas.
Vencidas as dificuldades e depois do projeto aprovado, em junho, foi concluída a concorrência para o serviço, que deve começar em cinco dias úteis, a contar de ontem.
– Ficamos felizes, pois haverá mais proteção para as crianças – comemorou Gilda Maria de Vasconcelos, presidente da Associação de Ex-alunos do Instituto de Educação.