Acampamento brilha com a Chama Crioula
O orgulho gaúcho brilha no Parque Maurício Sirotsky Sobrinho, em Porto Alegre. A chegada da Chama Crioula inaugurou o Acampamento Farroupilha, no entardecer de ontem. Dois jovens tradicionalistas levaram os archotes até o palco, onde o patrono da Semana Farroupilha da Capital, Waldemar Alchieri, acendeu o candeeiro e iniciou oficialmente o evento. Centenas de milhares de pessoas devem visitar a área até o dia 21.
O grupo de cavalarianos pertencente à 1ª Região Tradicionalista (RT) conduziu a centelha retirada da Pira da Pátria, no Monumento ao Expedicionário, na Redenção, ao Parque Maurício Sirotsky Sobrinho.
Ao deixar a área verde, eles se dirigiram ao Colégio Estadual Júlio de Castilhos, onde o fogo simbólico foi criado há 61 anos. Após acenderem a Chama na escola, prosseguiram o trajeto rumo ao acampamento.
Por volta das 18h20min, Mauricio Augusto Pinheiro Júnior, Guri Farroupilha da 1ª RT, e Luciana Vasconcelos, prenda do Departamento de Cultura Gaúcha Mescla de Guapos, de São Leopoldo, empunhavam as tochas a poucos metros do palco montado na área central do parque, enquanto o público se concentrava ao redor para assistir à cerimônia. Por vezes, uma das centelhas ameaçava se apagar, o que provocava exclamações e olhares apreensivos de alguns espectadores. Durante a execução do Hino Nacional, ela se extinguiu, mas o outro archote garantiu o acendimento da Chama Crioula.
Um pedaço do campo em plena região central da Capital, o Acampamento Farroupilha reúne participantes de 386 entidades, celebrando as tradições campeiras.
Ontem, milhares de visitantes aproveitaram a tarde ensolarada para passear pelo parque. Apesar do tempo bom, que amenizou o frio, as prendas ainda precisavam de cuidado ao circular com seus vestidos pela área, resultado da chuva dos últimos dias.
– Está tudo embarrado – foi uma das primeiras impressões da advogada Sandra Lago, 28 anos, que convidou as amigas Luciana Carriço, 33 anos, e Tina Rodrigues, 29 anos, a visitarem ontem, pela primeira vez, acampamento.
A advogada está acostumada com o ambiente do parque nessa época do ano: sua família participa de um dos piquetes instalados na área. Para os acampados, fazer parte do Acampamento Farroupilha é uma celebração.
– Não tem coisa mais bonita do que a tradição gaúcha. A Chama representa um orgulho – ressaltou Joseberto Carvalho Soares, 51 anos, enquanto preparava um novo mate.
Organizado pela prefeitura de Porto Alegre, pelo MTG e pela Brigada Militar, o Acampamento Farroupilha conta neste ano com novidades, como dois restaurantes típicos e o Piquete da Leitura, onde ocorre uma pequena feira do livro.
As novidades
Gastronomia típica – Além do churrasco, o público pode saborear outras iguarias tradicionais em dois novos restaurantes: um de culinária gaúcha tradicional, próximo ao Centro de Eventos, e outro de gastronomia litorânea, próximo a uma das entradas do evento, perto do Galpão das Cuias. O cardápio apresenta anchovas, filés e tainhas na brasa.
Piquete da Leitura – Para provar que vivente também lê, o acampamento conta neste ano com uma feira do livro, formada por quatro expositores associados à Câmara Rio-Grandense do Livro, além de uma barraca do MTG. A literatura disponível foca exclusivamente a temática gauchesca. Funcionará das 10h às 22h.
Artesanato – A feira tem 60 estandes comerciais, 10 a mais do que na edição anterior. Os visitantes podem ainda conferir o preparo de pratos típicos em uma cozinha experimental.
Estrutura– Para quem estiver acampado no parque, há nova canalização de água, farmácia e lavanderia, de acordo com Roberto Kalil, coordenador comercial e de estrutura do evento.